A academia tradicional está morta.

A Academia tradicional está morta. Vida longa aos training-gyms.
by Thomas Plummer

Você arrisca tudo que tem para montar um negócio próprio.
Consegue dinheiro, constrói sua visão, assume os riscos de empreender e ainda assim nada garante que você conseguirá fazer desse sonho um sucesso. E, quando o negócio sofre, frequentemente nós ficamos bravos com o universo, porque sempre achamos que já que assumimos o risco, deveríamos estar destinados ao sucesso.
Essa sensação de sucesso predestinado geralmente mascara o problema real, que é o fato de que o negócio nunca teve chance de ser bem sucedido desde o início. Geralmente, nossa visão do negócio, secretamente desenvolvida a cada noite naqueles 20 minutos antes de cair no sono, simplesmente não representa o que os consumidores querem comprar, e apesar disso ser tão irritantemente óbvio, é por isso que tantas academias, além de outros milhares de pequenos negócios, continuam a fechar ano-após-ano. Você simplesmente montou algo que as pessoas não querem comprar. Montou o que você queria, ao invés de algo que os potenciais clientes gostariam de comprar.
– Qual o perfil de uma pessoa que representa seu mercado?
– Onde seus potenciais clientes vivem, qual a renda familiar, o que eles iriam querer da academia mais próxima?

Muitos donos de academia forçam uma metodologia em um mercado ao invés de entender que clientes diferentes, de idades diferentes, podem querer diferentes produtos.
A maioria desses fracassos são muito parecidos. Esses fracassos representam alguém tentando copiar o negócio bem sucedido de outro, mas em geral muito tarde no ciclo de vida daquele modelo.
Em outras palavras, ser a 50ª companhia a copiar e tentar o modelo da Curves nos anos 90 provavelmente não deu muito certo; assim como copiar o modelo de US$ 10 vinte anos depois de sua concepção é copiar um plano que está morrendo. Copiar uma ideia que teve superexposição, está fora de moda, desgastada, não é um bom negócio, embora pareça que neste mercado estamos condenados a repetir o passado…será?

Todo conceito de negócio tem um ciclo de vida. Há um longo período de crescimento que pode durar por uma década ou até duas; há uma fase de crescimento rápido quando o novo conceito alcança o ponto de decolagem; seguido por um longo, e algumas vezes mas não sempre, período de crescimento lento. Finalmente, há a decadência do conceito ilustrado pelo declínio constante e finalmente o colapso do modelo. Isso se chama A Teoria da Curva S, e pode ser aplicado para a maioria dos negócios, mas funciona particularmente bem para a indústria de fitness.
Usada com sabedoria, a curva S é o equivalente moderno a alguém ler seu futuro nas folhas de chá, antigamente. Os números simplesmente nunca mentem, mas nossa conexão emocional, talvez esse sentimento de “eu construí essa coisa, então é claro que o conceito/ideia é o que o cliente quer” bloqueia nossa habilidade de ver o futuro que é tão claro à nossa frente.
De uma olhada no mercado de computadores por exemplo. Até 1984, estima-se que apenas 1-3% da população americana tinha computadores ou acesso a eles. Em 1984, o famoso anúncio da Apple, contra o “Big Brother” foi ao ar e mudou o curso dos computadores para sempre. Desde 1984-89 o número de pessoas com computadores cresceu para 15%. E até 1997 apenas 30% da população tinha computadores.
Mas desde 1997 o mercado decolou e mais que dobrou em apenas 10 anos. Desde 2007, quando foi estimado que cerca de 85% da população americana tinha acesso a computadores, as vendas desse produto tem estado estagnadas e agora começaram a declinar. O velho computador, aquela caixa que ficava embaixo da mesa está sumindo rapidamente e mesmo os laptops estão começando a declinar, sendo substituídos por tablets e smartfones.
Resumindo, há um lento crescimento dos anos 50 até o meio dos 90, uma fase rápida em que o número quase dobra em menos de 10 anos, e agora aquele longo declínio, em que o produto vai sendo trocado por uma ideia melhor e mais eficiente.
O que isso tem a ver com nosso fitness? A teoria da curva S explica porque as academias tradicionais estão a caminho da lista de extinção e porque os “training gyms”, or modelos híbridos “training-centric”, estão substituindo o antigo conceito.

A academia tradicional, todos-os-objetivos, tudo para todos, apareceu lentamente nos EUA nos anos 1930 e 40, cresceu nos 60, teve seu momento comercial da Apple no início dos anos 70 com a chegada dos equipamentos Nautilus, passou por um crescimento rápido e furioso nos anos 90 e nos primeiros anos dos 2000, desde então estabilizou, e agora apresenta declínio.
Em outras palavras, as academias tradicionais percorreram seu curso como conceito e agora estão desaparecendo e não há nada que alguém possa fazer a não ser que reinvente o conceito, e alguns pioneiros deixem seus negócios evoluir (mudar é possível, mas difícil achar liderança que não esteja presa ao conceito do que construiu, e admita que seu bebê é feio e ninguém quer ser sua babá). Se nada mudar então esse conceito simplesmente irá seguir o caminho dos pagers e Palm Pilots, ideias brilhantes na época, mas substituídas pela “próxima grande tendência”.
O que nós não entendemos é que o “training gym” e sua irmã adotada, a academia híbrida (pense em $19 como plano básico, mas com mais de 40% dos clientes pagando muito mais por algum tipo de coaching/treinamento/exercício em grupo), estão numa curva S separada, própria, e não são afetados pela curva das academias tradicionais.
O training gym moderno não apareceu até 1996. Seu período de crescimento lento e longo durou até poucos anos atrás e agora estamos começando aquela década de crescimento rápido. Essa categoria de academia é para as academias tradicionais o que o smartfone foi para o pager…um assassino do qual não há como se defender.

Então, o que isso significa para nós no futuro? Como nosso mercado irá parecer nos próximos 10 anos? Aqui vão algumas ideias básicas sobre para onde estamos indo, não somente nos EUA mas no mundo todo:
• As low-cost continuarão a ir cada vez mais baixo no preço. Não é possível, não interessa o que você acredita, manter um negócio baseado somente no preço, porque não importa quão barato você chegue, alguém será louco o bastante para ir mais baixo. Houve uma falácia nos primeiros modelos de $10 quando todo mundo pregava que eles tinham dominado o patamar mais baixo. Veja agora o surgimento de planos de $5 por mês ou até mais baixos que aparecerão nos próximos anos. Será uma categoria muito difícil de competir, pois todos sabemos que quando os canibais comem todos os turistas, eles começam a comer os próprios canibais. Observe a guerra de preços dentro da guerra de preços quando eles começarem a matar a si mesmos.
• A academia híbrida, training-centric tem vida. Por isso você consegue mostrar preços baixos, mas ter um ticket médio alto por cliente. Há algumas redes e franquias já olhando para isso e nos próximos anos você verá algumas lideranças corajosas e suas equipes tomar a frente e apoderar-se desse segmento antes que o resto perceba o que está acontecendo.
• As primeiras poucas tentativas de franquear o conceito de training-centric já apareceram, e elas vão fracassar. Não é o treino, estúpido, é a experiência de orientação. Se os programas fossem a solução, todas as academias que tentaram fazer treinamento funcional na sala do fundo teriam tido grande sucesso ao invés de bater cabeça. Essas redes, assim como as novas franquias de training-gyms não entenderam que um bom training-gym tem um sistema de entrega de orientação e resultados e não uma rotina mágica que qualquer professor de aeróbica dos anos 90 pode aprender em 15 minutos.
• Os training-gyms de 3ª geração vão colocar fogo no mercado. Pequenas academias de 500 a 900 m² já estão mudando a forma de competir hoje. Quando você vê academias desse tamanho faturando $1.2-2 milhões por ano com menos de 500 clientes, você precisa entender que a mágica acabou. E boa sorte tentando gerar essa receita com 4000 clientes e 12 concorrentes no seu mercado buscando exatamente o mesmo cliente nos próximos anos.
• Nutrição é a próxima “big thing”. Nós tratamos de nutrição tão mal nesse mercado por tantos anos, que foi esquecida como uma séria geradora de faturamento, mas isso está mudando também. Empresas como Precision Nutrition e DotFit oferecem soluções que podem ser usadas para gerar enormes receitas nas academias, mas só agora começamos a prestar atenção e aprender.
• A restauração do movimento natural também irá mudar nosso mundo. Nós criamos uma geração inteira de clientes que ficam bem numa camiseta, mas não conseguem amarrar seus sapatos sem luta. Aparência boa é ótimo; mover-se bem aos 60 e depois é tudo na vida e nós podemos vender isso aos nossos clientes. Empresas como a Functional Movement Systems (FMS) já estão liderando essa mudança e isso está se tornando importante no mundo todo.
• A morte da academia de $39 no meio. Ninguém sobrevive no meio. A teoria da curva S demonstra que ou você está nas pontas ou você morre e qualquer um que tentar o caminho do meio vai perder. Observe essa categoria desaparecer completamente nos próximos 5 anos.

Qual o futuro de tudo?
Talvez o futuro seja voltarmos ao que nos fez importantes para as pessoas no início, quando o mercado existia para ajudar o maior número possível de pessoas a alcançar boa forma no menor período de tempo. Era tudo baseado na orientação no nascer da indústria de fitness e rapidamente estamos voltando ao poder da entrega de resultados novamente…e isso se traduz como o fim da era dos planos tradicionais.
Thomas Plummer | February 24, 2017 URL: http://wp.me/p4EyZR-5e

3 responses on “A academia tradicional está morta.

  1. renata disse:

    Gostei muito do que li aqui no seu site.Estou estudando o assunto,Mas quero agradecer por que seu texto foi muito valido. Obrigada um beijinhu 😉

  2. Felipe Araújo disse:

    Sensacional!! Texto muito bem elaborado, e com certeza retrata o futuro de nós trainner’s!!!

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